segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Monte Hermón - Colinas de Golã

 O Monte Hermón que se localiza ao sul das Colinas de Golã, passou ao controle de Israel após a guerra dos 6 dias em 1967 e foi oficialmente anexado em 1981, passando a integrar em definitivo o território israelense.

A partir de então, o Monte Hermón passou a constituir uma tríplice fronteira entre Israel, Síria e Líbano e passou a funcionar também como a única estação de esqui de Israel.
Mais recentemente, durante o verão, se costuma usar o terreno acidentado das montanhas para a prática do mountain bike

Kiriat Shmoná, maior cidade antes chegar no Monte Hermón (22 Km de distância).


Neve Ativ, última cidade antes de começar a subir para o Monte Hermón.


No início da subida já se começa a ver neve frequente.

Quase no fim da subida.

Entrada do Monte Hermón.
A estação do Monte Hermón é dividida em duas grandes partes que se conectam por um grupo de teleféricos:

Na parte de baixo ficam a entrada, alguns restaurantes, algumas lojas de roupas e de venda e aluguel de equipamentos de esqui, um circuito de trenó com trilhos (do qual não tiramos foto porque já estávamos muito cansados) e a parte de treinamento de esqui.

Obviamente não deu para tirar foto de tudo, mas deixo aqui algumas fotos da parte de baixo do Monte Hermón:

Nesta foto dá para ver um dos teleféricos ao fundo.

Eu no iglu das crianças. rsrs.



Estas fotos foram tiradas do teleférico, de onde dá para ver uma parte da pista de esqui:



No Cume do Monte Hermón não tem muita coisa para se ver, a não ser que você vá descer de esqui. Nesta parte, além de um vento de resfriar pinguim também tem algumas lojas e alguns restaurantes, mas os de baixo são melhores:




E aqui, o estacionamento do Monte Hermón, um pouco antes de irmos embora:


E para quem ainda não enjoou de ver neve, está aí um vídeo que nós filmamos com algumas imagens do Monte Hermón:




terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Eleições em Israel

O processo eleitoral em Israel é bem diferente do que se está acostumado a ver no Brasil e na maior parte dos países da América do Sul.

Israel é um país parlamentarista-presidencialista e o congresso ou parlamento daqui é formado por 120 deputados. O Parlamento israelense, que em hebraico se chama knesset é unicameral, não sendo dividido em deputados e senadores.

Durante a eleição todos são eleitos como membros do knesset, possuindo nesse momento igualdade de condições. Após as eleições, os membros do knesset,sob orientação do presidente, escolhem, dentre aqueles que foram eleitos, quem será o primeiro-ministro.

Em Israel não se vota em pessoas, mas em partidos. Os partidos fazem eleições internas e elaboram uma lista, com seus possíveis deputados . Essa lista é divulgada com os candidatos já em ordem.
Ou seja, o primeiro candidato da lista é o líder do partido, e caso o partido tenha direito a apenas um assento será ele (a) que assumirá. Se o partido tiver direito a mais um assento, o eleito será o segundo da lista e assim sucessivamente.

Para que um partido consiga um assento no knesset ele precisa atingir pelo menos 2% dos votos válidos. Para os demais assentos é feito um cálculo entre a relação de votos válidos e o número de votos válidos destinados aquele partido.

Uma vez eleitos, é interessante que os membros do knesset formem coalizões entre si, uma vez que para que o primeiro-ministro seja eleito é necessário que haja maioria absoluta de votos para ele (mínimo de 61).

Caso não haja concordância entre os membros do knesset é preciso dissolver o congresso e solicitar, o mais breve possível, uma nova eleição, já que eles entendem que sem maioria não há governabilidade.

Em Israel, como na maior parte dos países do mundo o voto NÃO é obrigatório. Porém é um direito que todos podem exercer e assim sendo, o dia das eleições é feriado.

Israel tem cerca de 5 milhões e meio de eleitores e todos recebem em casa um cartãozinho informando o local onde deverão comparecer para votar. Também é possível consultar o local de votação pela internet ou solicitar informações via SMS.

Cartão do eleitor com local de votação.

Verso do cartão.
Em Israel não há título de eleitor, para votar basta levar a identidade, ou carteira de motorista ou o passaporte israelense.

Estas eleições agora de 2013 estão se mostrando sem grandes novidades, tudo parece correr dentro do esperado. Embora desde o início esteja se travando uma batalha entre os partidos Licud, de direita, do atual primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, o Avodah, de esquerda, liderado por Shelly Yachimovich, que fez uma oposição forte e inteligente ao longo destas eleições e o Yesh Atid que se auto-intitula um partido de centro e é liderado por Yair Lapid, que é um ex jornalista. o partido é novo e tem propostas interessantes, também de oposição à direita.

A votação terminou agora há pouco, às dez da noite, e segundo as pesquisas de boca de urna, o Licud fez 31 assentos, o que ficou um pouco abaixo das previsões de alguns dias atrás. Ainda segundo as pesquisas de boca de urna o Yesh Atid teria feito 19 assentos e o Avodah 17.

O número de eleitores que compareceram às urnas também superou em muito as expectativas, chegando a quase 70%.

Os resultados das eleições devem sair durante a madrugada. Se esses números se confirmarem, vamos ver como o Knesset se entenderá, uma vez que a esquerda e a direita estão bem equilibradas.




sábado, 12 de janeiro de 2013

Inverno Israelense

Estamos em 2013, segunda década do século 21, ainda me assusta que as pessoas se refiram à chuva, ao vento ou as eclipses como sinal da benevolência ou da ira divina.

Culturalmente, desde a antiguidade, todos os povos recebiam a chuva com alegria, já que uma estação de chuvas equilibrada garantiria uma boa colheita na primavera.

Os tempos mudaram, a humanidade não depende mais dos caprichos da natureza para comer, mas por uma questão cultural ainda recebemos as chuvas com alegria.

Então, apenas para deixar claro, quando chove em Israel não é uma benção é apenas inverno. E o inverno em Israel é a estação das chuvas e, eventualmente, da neve. 

Em Israel chove cerca de 2 ou 3 meses por ano, todos os anos e, normalmente o que chove é suficiente para abastecer o país de água pelo resto do ano.

Ocorre que neste ano, as chuvas ultrapassaram todas as expectativas e está chovendo excessivamente. E por mais estruturado que um país seja, não existe país bem preparado para horas e horas de chuvas torrenciais.

O resultado é que o país parou e o caos se instalou, não seria um exagero dizer que o país ficou submerso por quase uma semana direto. As fotos foram feitas entre os dias 06 e 10 de janeiro:

Jerusalém:



Tel Aviv:
Rio Ayalon enchendo e o engarrafamento anormal provocado pelas chuvas.
Rio Ayalon que cruza Tel Aviv quase transbordando.
Modi'in:
Enchente que invadiu o Shopping Modi'in.
E aqui um vídeo do momento em que o shopping é alagado pela força das chuvas:

E depois de uma semana de muita chuva, finalmente chegou a neve, que além de linda não causa tantos transtornos:

Jerusalém:







Nazareth e Nazareth-Ilit:

Esse vídeo foi gravado por mim, da janela do meu apartamento, bem no início da primeira tempestade de neve deste ano:

Nazareth na primeira manhã depois da nevasca.


Temperatura na madrugada do primeiro dia de neve em Nazareth-Ilit, (foto feita do meu iphone).
Acho que pelas imagens dá para ter uma noção do que é o verdadeiro inverno israelense, né? Tudo bem que esta foi considerada a tempestade mas forte da década, mas ainda assim dá para perceber que chuvas em israel não são consequência de um milagre, nem de uma punição divina, mas tão somente de uma condição climática que se chama inverno.

Para ver outras imagens relacionadas a esse post ou para receber constantemente atualizações do blog curta a página do blog no facebook: Vivendo em Israel no Facebook



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Apartamentos Israelenses

Se tem uma coisa que realmente as pessoas têm curiosidade é em saber como são os apartamentos israelenses.

Lamento decepcionar a grande maioria, mas pelo menos na aparência os apartamentos de Israel são idênticos aos apartamentos de qualquer parte do mundo.

As pequenas diferenças ficam mesmo por conta de alguns detalhes na construção.

A começar é claro pela questão da proteção anti-bomba. Nas construções feitas a partir de 1991 todos têm abrigos dentro do próprio apartamento, nos construídos anteriormente a essa data, os abrigos são no prédio (podendo ser subterrâneo ou embaixo das escadas), mas mesmo nas construções mais antigas os apartamentos israelenses são todos reforçados em suas lajes e normalmente sempre há um lugar mais seguro dentro do apartamento, normalmente o banheiro ou algum corredor da casa.

No caso do meu, o hall de entrada é área mais protegida, como acho que dá para perceber pela grossura da laje:

Alguns dizem que essa proteção é feita por um bloco de concreto maciço, outros dizem  que  o concreto é preenchido com placas de aço, enfim não sei. 
A proteção também fica por conta das portas. Quase 100% dos apartamentos de Israel possuem esse tipo de porta:


Essas portas são extremamente grossas e pesadas em relação às portas normais, além de possuírem essa espécie de engate que ultrapassa a linha do trinco (todas têm esse trinco quádruplo). Esse engate entra no batente e faz uma espécie de vedação na lateral, impedindo, por exemplo, que a porta possa ser arrombada por um pé de cabra ou ainda dificultando que o deslocamento de ar provocado por uma explosão estoure a porta. As portas e os batentes são geralmente de aço, no caso da minha, ela é de aço por dentro e revestida de madeira por fora, só por uma questão de acabamento.

Outra característica bem marcante em apartamentos israelenses é que os interruptores de luz ficam do lado de fora de locais que passam água, portanto na parede de fora do banheiro e da cozinha.


Aliás banheiros israelenses também não costumam ter tomadas. E por falar em tomadas, em Israel as tomadas são todas 220 volts e são todas nesse padrão.


Sim, as cozinhas possuem tomada, porém uma coisa que intriga todo mundo que chega por aqui (pelo menos vindo do Brasil) é:

Cozinhas israelenses não têm ralo. Mas e se estourar um cano ou tiver um vazamento? Aí você terá a oportunidade de se exercitar secando o chão com pano. Aliás acho que esse é um bom conselho para se dar, tenha sempre panos de chão em casa.

Mas os banheiros não têm ralo? Sim, os banheiros têm ralo, mas por não terem box, a grande maioria dos banheiros tem um pequeno degrau na porta, portanto, acredite, panos serão bons companheiros em caso de emergência.

Os banheiros não tem box? Pois é, não é propriamente uma regra, eu diria que é algo que varia um pouco de região para região. Mas o padrão é que o banheiro seja um retângulo único, sem nenhuma divisão entre onde começa o box e onde começa o "resto do banheiro".

Na região norte, a configuração dos banheiros costuma ser um pouco diferente, por aqui os banheiros normalmente possuem box e não possuem esse degrau que os separa do resto da casa. Mas, como ralo fica "preso" dentro do box, também não dá para usá-lo caso algo aconteça na cozinha.

E outra coisa que apartamentos israelenses, normalmente, não possuem é área de serviço e nem tanque, portanto você tem a opção de ter uma máquina ou levar sua roupa para uma lavanderia. E, no melhor estilo europeu, caso você tenha uma máquina de lavar, esta máquina ficará na cozinha ou no banheiro.

E para secar a roupa é a mesma coisa ou você terá uma máquina de secar ou um varal desses de pé que ficará na cozinha ou no banheiro. No verão até dá para usar um varal pelo lado de fora da janela, mas no inverno isso é praticamente impossível, por causa das chuvas, da umidade e dos fortes ventos.

Como dá para ver, a minha máquina fica na cozinha. Em geral, as cozinhas já são projetadas com o espaço e conexão para a máquina.
Sim, mudar de país requer adaptação a todos os atos da sua vida, mesmo aos mais irrelevantes.




quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Homossexualismo e a Democracia Israelense

Não é de hoje que eu venho tentando mostrar nesse blog o quanto Israel é um país democrático, justo e acima de tudo igualitário.

Porque embora Israel seja oficialmente um Estado Judaico, a religião aqui é bem menos importante do que são os direitos individuais e a democracia, ao contrário do que ocorre em muitos países pseudo-laicos como o Brasil e os EUA, por exemplo.

Porque em Israel, homossexuais declarados podem e devem servir as Forças Armadas. Inclusive eles são incentivados a assumir sua orientação ou identidade sexual. Porque a IDF sabe que a homossexualidade não é uma invenção ou um ato de rebeldia, é parte de uma condição natural e sobretudo porque ser homossexual não é vergonha!
Foto divulgada na página oficial da IDF no Facebook em apoio ao mês do Orgulho Gay em junho de 2012.

Claro que sempre tem alguém para dizer, mas até 1988 ser homossexual era crime em Israel. E daí? Até 1990 a OMS (Organização Mundial de Saúde) considerava o homossexualismo como doença.

E vale dizer que na verdade a lei existia, mas jamais em tempo algum ela foi usada, nunca, no Estado de Israel, um civil foi punido por ser homossexual. Mas mesmo que a lei tivesse sido aplicada, leis são reflexos dos pensamentos de uma determinada época e hoje os tempos são outros, a lei não existe mais. E desde 1993 os homossexuais são legalmente protegidos contra qualquer forma de discriminação.

De lá para cá muitas conquistas foram alcançadas pelos homossexuais:

A lei garante a qualquer casal o reconhecimento legal como unidade familiar e a eles é permitido tudo (ou quase tudo) o que é permitido a casais heterossexuais, como colocar o parceiro (a) como dependente para o recebimento de pensões e seguros, comprar imóveis em conjunto, apresentar renda familiar em conjunto para obtenção de créditos ou facilidades bancárias, enfim vida legalmente normal, como deve ser para qualquer tipo de casal. Na prática, só não se pode falar em casamento homossexual porque em Israel apenas existem casamentos religiosos e como nenhuma religião realiza esse tipo de matrimônio o nome técnico acaba sendo outro. Claro que sempre há coisas pelas quais lutar, mas o caminho até aqui já foi muito bem trilhado.

Em 2005, foi permitida a primeira adoção por um casal homossexual - Uma mulher ganhou na justiça o direito de adotar legalmente o filho de sua companheira que havia sido concebido por inseminação artificial utilizando doação de um banco de sêmen;

E em 2011 a lei do retorno foi aplicada pela primeira vez a um casal homossexual, onde apenas um dos parceiros era judeu. Pela lei do retorno, a cidadania israelense é extensiva ao cônjuge ainda que este não seja judeu. E o processo de imigração deles foi tratado como o de qualquer casal que faz aliah.

E isso nada mais é do que o retrato puro e cristalino da maneira de pensar israelense.

Muita gente aponta Tel Aviv como a Capital Gay do Oriente Médio, alguns afirmam que é a Capital Gay da Ásia, mas a grande verdade é que Tel Aviv nada mais é do que o reflexo super dimensionado do país inteiro.

Israel é um país muito aberto e o homossexualismo faz parte da paisagem Israelense.

E sim, em Tel Aviv se realiza uma das maiores Paradas do Orgulho Gay do mundo. A parada é sempre realizada no mês de junho, no auge do verão israelense e, apesar de ser uma comemoração muito descontraída é também um movimento político, um momento de reafirmar a democracia e de mostrar que igualdade, direitos e liberdade só se conquistam com muita luta, determinação e orgulho da própria condição.




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