segunda-feira, 29 de abril de 2013

Israelense, O Povo mais Mal Educado do Mundo?

Vira e mexe surge esse tema na TV ou em alguma publicação aqui em Israel.

Não é de hoje que eu digo que muito da dificuldade de adaptação que as pessoas têm ao país se deve ao jeito de ser dos israelenses.

Mas até que ponto os israelenses são de fato mal educados?
Esse é um assunto onde mais do que qualquer outro eu darei a minha opinião super pessoal.

Israelenses não são mal educados, nem rudes, eles apenas têm um jeito muito próprio de se comportar.

Israelenses falam alto o tempo todo, discutem e perdem a paciência com muita facilidade e o que talvez seja o mais assustador para quem não está acostumado, israelenses são muito claros e diretos em suas colocações.

Se tem uma coisa que israelense não conhece são rodeios, ele fala o que tiver que falar, doa a quem doer e muitas vezes faz isso num tom de voz elevado, mas acredite isso não significa que estejam brigando, muito pelo contrário, o comum é que 5 minutos depois as pessoas estejam tomando café e batendo um papo super animado, o que aliás também continuará sendo em altos decibéis. rsrs

Na verdade até que você aprenda hebraico, você terá muita dificuldade em saber quando duas pessoas estão discutindo ou quando estão falando do tempo e mandando lembranças para os parentes umas das outras. O tom é exatamente o mesmo.

Uma característica de Israel que eu acho (minha opinião!!!) que contribui para isso é o fato de existir uma igualdade muito grande entre as pessoas, não só igualdade social, mas igualdade moral, o israelense trata todo mundo de igual para igual e verdadeiramente, todo mundo tem acesso a tudo, sem falar que Israel é um país de origens socialistas, claro que não há nada de socialista em Israel como país, mas há na essência do povo e na ideologia do Estado Israelense, isso seguramente interferiu na forma como o israelense se comporta.

Não existe subserviência em Israel, o israelense, independente da função que ocupe sabe se posicionar e sabe colocar o outro no seu devido lugar, então como é uma sociedade onde "todos estão sempre com a razão", todo mundo grita o tempo todo.

Em regra, assim que o israelense pega intimidade você percebe o quanto eles são tranquilos, amistosos, brincalhões e solidários (até excessivamente eu diria), mas esse pacote de qualidades vem sim incluído no combo falar alto + falta de paciência.

Não é fácil para a maioria das pessoas aprender a lidar com o jeito de ser "israeli", tanto isso é verdade que existe no site oficial do governo um link que eu deixo aqui, explicando para quem vem fazer negócios em Israel que os gestos e formas de se comportar dos israelenses são apenas parte da cultura informal do povo e que nada tem de mal educado.

Esse é o link (em inglês): Dicas para quem vem fazer negócios em Israel.

Tá legal, eu sei que não é qualquer país que precisa de um aviso desse tipo no site oficial do governo, o que deve fazer crer que há um enorme fundo de verdade nisso tudo, mas também tem lá uma frase de uma escritora francesa que se chama Anais Nin, que eu acho bastante correta e que define muito bem a percepção humana da vida: "Nós não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos".

E essa é a grande verdade, educação é um conceito social com o qual nos acostumamos no nosso país. Países diferentes, conceitos de educação e de paciência diferenciados. Simples assim!

Nosso israelense sem paciência, quando ainda era filhote. rsrs

terça-feira, 23 de abril de 2013

Kibbutz nos Dias de Hoje

Kibbutz são associações comunitárias que surgiram em Israel no início do século XX e que tinham por objetivo "criar" o Estado de Israel, até então território Turco-Otomano. 

Os kibbutz (ou kibbutzim, plural em hebraico) surgiram do movimento socialista-sionista, que na realidade muito pouco tinha de religioso. O grande elo de união entre as pessoas era o sentimento de povo e de nacionalismo, a religião judaica nunca esteve em primeiro plano.

Os territórios que deram origem aos kibbutz foram comprados do império Turco-Otomano e de árabes que viviam na região. O objetivo do movimento sionista era comprar o máximo de terras possíveis e o objetivo do movimento kibbutziano era trabalhar a terra e tornar os kibbutz locais autossustentáveis onde se pudesse plantar, colher, criar animais e, naquela época esta era a forma mais sensata de se sustentar e obter lucro. E todo lucro era dividido igualmente entre os membros dos kibbutz.

Da concepção inicial até os dias de hoje, muita coisa mudou. O primeiro kibbutz foi o Degania, fundado em 1910.

Imagens do mesmo lugar, em 1910 e atualmente.

Foi fundado com apenas 12 pessoas. 10 homens e 2 mulheres.
Atualmente no Degania funcionam uma série de coisas, como restaurantes, parques, museus e há várias atividades recreacionais inclusive para crianças.

Restaurantes.
Placa de orientação dentro do kibbutz. A placa diz: Secretaria/ Chatzar Rishonim (que é o nome de uma área dentro do kibbutz) /Museu.

Parte do museu e um café podem ser vistos nesta foto.
E na prática o que mudou no conceito de kibbutz nesses anos todos? 

É inegável a importância dos kibbutz na formação e sustentação inicial do Estado de Israel, porém, e como de fato era esperado, kibbutz hoje em dia são organizações muito mais comerciais e comprometidas em se manter do que em conservar ideologias.

Antigamente, para pertencer a um kibbutz bastava ter vontade de trabalhar e, obviamente compartilhar das ideias socialistas-sionistas. 

Atualmente para ser membro de um kibbutz é preciso ser aprovado por uma assembléia, o que pode levar até dois anos, nesse meio tempo você se muda para lá e fica pagando aluguel, participa de algumas atividades, mas não tem direito a nenhum benefício que muitos kibbutz têm como usar o carro, fazer parte de planos de telefonia (entre outras coisas) mais baratos e entrar na divisão dos lucros que diga-se de passagem já não valem muito a pena e se valer, muito dificilmente você será aprovado.

Num kibbutz ou você trabalha lá ou trabalha fora de lá, não existe não trabalhar. Caso você seja aprovado como membro você poderá trabalhar lá e receberá sua parte na divisão dos lucros no fim do mês caso trabalhe fora do kibbutz seu salário será depositado diretamente para eles e entrará na divisão de lucros do kibbtuz e você receberá o que todo membro do kibbutz (Chaver HaKibbutz) recebe, podendo ser um valor maior ou menor que seu salário. 

Atualmente nos kibbutz que ainda existem funcionam todo tipo de atividade desde hoteis, spas e restaurantes até fábricas e empreendimentos agrícolas em sua maioria altamente especializados. 

E apenas para deixar claro, pelo menos hoje em dia, não há nada de religioso no modelo de kibbutz, tanto assim que nem todo alimento fabricado em kibbutz é casher, aliás há kibbutz que processam até carne de porco, então vamos esquecer a história da religião, certo?

A maior parte dos membros dos kibbutz trabalham fora de lá, o que significa que quem trabalha lá é contratado de fora e recebe salário normalmente, de acordo com a função que exerce. 

Lamento destruir os sonhos encantados daqueles que acham que vão vir para Israel e colher laranjinhas em lindas cestinhas de vime pela manhã e passar o resto da tarde cantando e dançando em volta de uma fogueira, kibbutz são instituições altamente comerciais e profissionais que funcionam dentro de um país extremamente capitalista.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Yom HaShoah, Yom HaZicaron e Yom HaAtzmaut

Três comemorações/homenagens que não são festividades judaicas, mas são datas israelenses e por esta razão, mesmo não tendo nada a ver com religião são contadas pelo calendário judaico. Por isso, assim como qualquer festa ou feriado de Israel estas também não têm uma data fixa no nosso calendário gregoriano.

Yom HaShoah (יום השואה) - Dia em Memória do Holocausto: Não é feriado, é apenas um dia em que se presta homenagens às vítimas do holocausto.

Às 10 da manhã tocam sirenes antiaéreas no país todo por 2 minutos e todo mundo para tudo que estiver fazendo e fica em pé e em silêncio em respeito ao momento. Eu sei que é difícil vislumbrar isso, mas de fato Israel para por dois minutos, as pessoas descem dos carros em ruas e estradas e ficam em pé do lado de fora, nas empresas, nas escolas, supermercados, academias, pontos de ônibus, pelas janelas dos apartamentos é possível ver pessoas sozinhas em casa em pé de maneira respeitosa todo mundo se coloca em pé em posição de respeito, é uma solenidade rápida e a vida segue normal no resto do dia.

É apenas uma forma de render homenagens e de lembrar que é dever de todo israelense não permitir que algo assim aconteça de novo. Os canais de TV e as emissoras de rádio também param a programação e transmitem a sirene por dois minutos.

Este ano o Yom HaShoah caiu no dia  08 de Abril. Na véspera costuma haver homenagens no Yad VaShem que é o Museu do Holocausto de Israel, fica em Jerusalém.

E para quem não acredita que os carros param mesmo está aí a prova (O Vídeo começa uns 30 segundos antes da sirene, então dá para ver bem o momento em que a sirene toca e todos param):



Yom HaZicaron (יום הזיכרון) - Dia da Lembrança: Ocorre exatamente uma semana depois do Yom HaShoah e é o dia de lembrar de todos aqueles que morreram por Israel (soldados e vítimas de terrorismo). Neste dia as Bandeiras de Israel são colocadas a meio mastro.

Assim como no Yom HaShoah também tocam sirenes. Neste caso, a primeira sirene toca por um minuto às 20:00 do dia anterior (véspera) e toca no dia seguinte às 11:00 da manhã por dois minutos e também para tudo em respeito à sirene. E o Yom HaZicaron não é feriado, mas é véspera de feriado (Véspera de Yom HaAtzmaut), portanto as coisas funcionam meio expediente, mais ou menos até umas três ou quatro da tarde.

O Yom HaZicaron esse ano cairá no dia 15 de abril.

Sirene noturna que marca o início do Yom HaZicaron (toca na noite anterior):



Yom HaAtzmaut (יום הצמאות)- Dia da Independência de Israel: O que nós chamamos de Independência de Israel é na verdade a fundação do Estado de Israel. Claro que quando o Estado foi fundado se tornou também independente, então obviamente não está errado.

O dia da Independência de Israel é feriado, porém é um feriado meio atípico, porque os transportes públicos funcionam (ainda que boa parte com horários alterados) e bares, restaurantes e muitos estabelecimentos comerciais de entretenimento costumam funcionar. Quase todas as cidades fazem sua festa e há muita queima de fogos ao longo da noite.

Assim, como todos os feriados de Israel, a comemoração começa no dia anterior, então a festa de independência costuma ter início ao cair do sol depois das 18:00h  ou 19:00h, quando termina o Yom HaZicaron e as bandeiras são novamente hasteadas em uma cerimônia de transição do Yom HaZicaron para o Yom HaTzmaut.

Há cerimônias militares na capital, Jerusalém, mas não são nem parecidas com as paradas militares do Brasil.

Parte de uma cerimônia militar:

E um vídeo de um Yom HaAtzmaut que eu filmei quando ainda morava em Ashdod, em 2011:




Ao longo do mês é comum que as pessoas coloquem bandeiras nas janelas dos prédios, dos veículos, além das cidades também serem enfeitadas



.

O Yom HaAtzmaut este ano cairá no dia 16 de abril.
*As três fotos foram retiradas da internet.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Programa de Imigração e Trabalho em Israel

Se você por qualquer razão sonha em vir morar em Israel coloque uma coisa muito importante na sua cabeça:

NÃO EXISTE PROGRAMA DE IMIGRAÇÃO PARA ISRAEL

Se você quer apenas morar no exterior, num país legal, seguro e que esteja buscando gente para trabalhar lá, procure países com programa de imigração como Canadá, Austrália e Nova Zelândia.


Imigração para Israel para pessoas que não tem vínculos com o país é quase impossível, então para que gastar sua energia tentando imigrar para um país que não te quer ou não precisa de você?


Mas porque é tão difícil imigrar para Israel?

Simples, proteção de mercado para o cidadão israelense. Israel é um país do tamanho do Estado de Sergipe, ou seja, super pequeno e com quase 8 milhões de habitantes, não falta emprego, é verdade, mas também não falta mão de obra, tanto qualificada como não qualificada para trabalhar em qualquer área que seja.
Então não há razão para se buscar profissionais no exterior e o governo não incentiva essa prática.

Portanto, se você não tiver um diferencial muito grande, uma excelente qualificação ou qualquer outra coisa que justifique toda o esforço e burocracia para te contratar, você provavelmente não será contratado por uma empresa em Israel.

Que eu saiba, os únicos profissionais que têm visto de trabalho relativamente facilitado são cientistas, artistas e atletas profissionais (pessoas de extremo talento ou cujo o trabalho já tem alguma relevância em seus países de origem) e músicos de orquestra sinfônica, ou seja, músicos com formação clássica, que por acaso hoje em dia, em Israel, são em sua maioria chineses ou algo semelhante.

Portanto acredite:

-Israel não precisa de gente para trabalhar colhendo frutas ou legumes, já que a agricultura israelense é uma das mais tecnológicas e mecanizadas do mundo. E os profissionais que Israel importa nesta área são, normalmente tailandeses, uma vez que existe acordo de cooperação entre os dois países. Estes trabalhadores tailandeses são pessoas com experiência rural e vem para Israel com visto de 5 anos, acabado o prazo vão embora, sem renovação nem nenhuma outra possibilidade de permanecerem no país.

-Israel não precisa e aliás não aceita, voluntários nas forças armadas, não existe militar em Israel sem cidadania israelense. Sobre ser militar em Israel eu já falei aqui.

-E por fim, Israel não precisa de gente para trabalhar como faxineiro, copeiro, babá, garçom ou qualquer outro emprego considerado de baixa qualificação.

Obviamente, que o fato de não existirem programas de imigração, não significa que não existam algumas poucas formas legais de se imigrar para Israel (coisa esta que aliás eu já disse e repeti inúmeras vezes neste blog):

A mais simples e mais óbvia de todas é sendo judeu (de origem ou convertido) e sobre isso eu já falei aqui e sobre como comprovar o seu judaísmo eu já falei aqui.

A segunda maneira de conseguir imigrar é se casando com um ou uma israelense e sobre isso eu já escrevi aqui. Quando eu falo em casamento, é casamento real e não esse trambique que existe nos EUA e na Europa de "comprar casamento". Até acho que isso deva existir por aqui, mas seguramente não é algo tão difundido e nem tão fácil de encontrar como em outros países.

A Terceira e mais difícil de todas elas é conseguindo um visto de trabalho. Sobre isso eu já escrevi aqui.

Obviamente que o fato de ser quase impossível conseguir um trabalho aqui (sem cumprir pelo menos um dos requisitos acima) não te impede de tentar, então se você está interessado em trabalhar em Israel, faça buscas na internet em inglês, você seguramente irá encontrar muita coisa.

O difícil não é encontrar emprego, o difícil é encontrar alguém disposto a tramitar o seu visto de trabalho.

Procure sites de emprego e Agências de emprego, existem várias e são todas muito profissionais e muito eficientes. Mas tenha em mente que a mera vontade de morar em Israel não é atributo relevante no curriculum para que alguém resolva te contratar.

E ter passaporte europeu, passaporte americano, saber que você tem um tio judeu ou ter um avó que foi judia, mas você não pode comprovar, não serve para nada e não vai fazer diferença nenhuma para que você consiga ou deixe de conseguir um emprego aqui.

E repetindo pela milésima vez nesse blog, visto de estudo, de turismo ou de qualquer outra coisa NÃO te dá o direito de trabalhar. Eu também já falei sobre isso isso aqui.



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